"Só não se perca ao entrar, no meu infinito particular"

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sidharta Gautama

"Todas as coisas são precedidas pela mente, guiadas e criadas pela mente. Tudo o que somos hoje é resultado do que temos pensado. O que hoje pensamos determina o que seremos amanhã. Nossa vida é criação de nossa mente."

Sidharta Gautama

Certa vez, a rainha Maya do clã dos Shakyas, do reino Kapilavastu, no sopé do Himalaia, onde hoje é o Nepal, sonhou com um elefante branco que trazia uma flor de lótus em sua tromba. Ela contou este sonho ao seu marido, o rei Shuddhodana, mas ele não soube interpretá-lo.

Os sábios brâmanes esclareceram que o sonho era o prenúncio do nascimento de um filho prodigioso: ele se tornaria um monarca universal ou um monge. O nascimento do menino, cercado de eventos auspiciosos, aconteceu no jardim de Lumbini.

Ele seria chamado de Sarvarthasiddha Gautama — "aquele da família Gautama que realiza todas as suas metas" —, logo simplificado para Siddhartha Gautama — "aquele da família Gautama que realiza suas metas".

Um velho eremita brâmane chamado Asita descobriu vários sinais no corpo do bebê e previu que o príncipe se tornaria um ser iluminado. A rainha Maya faleceu uma semana depois de dar à luz e a criança passou a ser cuidada pela tia, Prajapati.

Durante sua infância, Siddhartha foi educado pelos melhores professores do seu tempo e atingiu excelência em todos os campos de conhecimento. Ele também desenvolveu grandes habilidades marciais e venceu um torneio de artes militares, obtendo o direito de se casar com sua bela prima Yashodhara.

Na tentativa de entreter Siddhartha, o rei Shuddhodana deu a ele três grandes palácios, onde desfrutava das melhores comidas, bebidas, vestimentas e prazeres.

Quando Siddhartha saiu pela primeira vez dos palácios, ele se encontrou com um velho, um doente, um morto e um asceta. Angustiado com o que viu, o príncipe fugiu para a floresta a fim de se dedicar à prática espiritual e encontrar o fim do sofrimento.

Seu único filho, Rahula, nasceu na noite em que ele decidiu partir. Apesar do coração repleto de afeição pela esposa e pelo filho, ele não hesitou em deixar seus palácios para buscar o caminho da prática espiritual. Como símbolo de sua renúncia, Siddhartha cortou seus longos cabelos com uma espada.

Siddhartha passou a praticar austeridades na floresta, sendo acompanhado por outros cinco ascetas. Depois de seis anos, ele percebeu que este estilo de vida não traria o fim do sofrimento.

Subitamente, ele compreendeu que a entrega aos prazeres mundanos e ao ascetismo são dois extremos; o ideal é seguir um caminho intermediário, o caminho do meio.

Uma jovem pastora chamada Sujata decidiu fazer uma oferenda de leite e arroz aos seres divinos da floresta. Aquele era um gesto de agradecimento por ela ter conseguido um filho.

Ao ver Siddhartha meditando na floresta, Sujata pensou que ele fosse uma divindade e lhe entregou a oferenda. Siddhartha se alimentou e logo recuperou a saúde.

Os outros ascetas pensaram que ele tinha abandonado sua busca pelo despertar e o deixaram para trás. Siddhartha foi então para Bodh Gaya, onde os seres iluminados do passado atingiram o despertar. Ele se sentou sob a figueira de bodhi e jurou que só se levantaria após atingir a iluminação.

Mara, o demônio do ego, tentou distrair Siddhartha de sua meditação. Suas três filhas — a cobiça, a raiva e a ignorância — tentaram seduzi-lo, mas não tiveram sucesso.

As hordas de demônios tentaram atacá-lo, mas suas flechas, pedras e bolas de fogo transformaram-se em pétalas e faíscas. Siddhartha tomou a terra como sua testemunha e continuou a meditar.

Na primeira vigília da noite, ele contemplou a sucessão de todas as suas vidas passadas. Na segunda vigília, ele contemplou o karma — o modo como as ações e seus frutos condicionam todos os seres. Na terceira vigília, ele contemplou o sofrimento, sua causa, sua cessação e o caminho que leva à cessação.

Pela manhã, Siddharta finalmente atingiu o bodhi — a iluminação, o despertar — e exclamou, "Maravilha das maravilhas, todos os seres são completos e perfeitos, dotados de virtude e sabedoria, mas os pensamentos ilusórios impedem que percebam isso!"

A partir de então, ele passou a ser conhecido como Buddha — o Iluminado, o Desperto — e como Shakyamuni — o Sábio dos Shakyas.

Durante os 49 dias seguintes, o Buddha Shakyamuni permaneceu em meditação. Inicialmente, ele pensou que os seres seriam incapazes de compreender o Dharma, o caminho que leva à iluminação.

Entretanto, um ser divino ajoelhou-se aos seus pés e implorou que ele desse ensinamentos. Cheio de amor e compaixão pelos seres, o Buddha então decidiu transmitir o Dharma.

Buddha Shakyamuni procurou os ascetas que tinham sido seus companheiros e lhes concedeu os primeiros ensinamentos. Eles se tornaram os primeiros monges e assim surgiu a Sangha, ou comunidade buddhista.

O Buddha passou a viajar constantemente para expor o Dharma, atraindo muitos discípulos. Em três meses, sessenta discípulos já tinham atingido a santidade.

Eles foram enviados a várias direções como mensageiros do Dharma, "para o benefício de muitos, para a felicidade de muitos, por compaixão pelo mundo".

O Buddha Shakyamuni visitou o seu reino, dando ensinamentos a seus amigos e parentes, incluindo seu pai, seus tios e seus primos.

Muitos deles tornaram-se monges e entraram para a ordem monástica buddhista.

Seu filho Rahula também foi ordenado como monge noviço e mais tarde atingiu a santidade.

Seu pai, Shuddhodana, atingiu a santidade em seu leito de morte. O próprio Buddha Shakyamuni cuidou de seus funerais.

Após a morte do pai, sua tia Prajapati e sua esposa Yashodhara tornaram-se as primeiras monjas buddhistas.

Seu primo e atendente, o monge Ananda, foi muito importante para o estabelecimento da ordem monástica feminina.

A cada ano, na estação das chuvas, o Buddha Shakyamuni reunia-se com seus discípulos para fazer um retiro.

Generosos benfeitores doaram monastérios para a comunidade buddhista se reunir e fazer seus retiros.

Aos 80 anos de idade, o Buddha Shakyamuni proferiu seus últimos ensinamentos e atingiu a liberação final, ou parinirvana, em um bosque da cidade de Kushinagara. Uma semana depois, seu corpo foi cremado e suas relíquias foram divididas, sendo preservadas em muitos relicários.

2 comentários:

  1. que lindo
    adorei o texto,
    muitos bjs

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  2. Vocês vão pra india? Não deixem de conhecer a história de Asoka (eles dizem achouk)....

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