"Só não se perca ao entrar, no meu infinito particular"

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Islamismo é a religião que mais cresce no mundo

Atualmente, o islamismo é a religião que mais cresce no mundo. São 16% a mais de fiéis a cada ano. O número de seguidores já é maior que o do cristianismo e já passou da casa de 1,1 bilhão - 20% do total de habitantes do planeta. Mais da metade desse número está na Ásia. Os Estados Unidos são, hoje, o lar de quase 4 milhões de muçulmanos, cinco vezes mais do que em 1970. Quase metade deles são negros. Há trinta anos, a França tinha onze mesquitas e hoje já são mais de 1.000.

No início da década de 70, a Inglaterra possuía 3.000 muçulmanos. Agora, eles são 1 milhão. No Brasil, o número de seguidores de Maomé também cresce com rapidez. Há quarenta anos, o país abrigava uma única mesquita. Hoje são 52, freqüentadas por cerca de 2 milhões de fiéis. Dez anos atrás os seguidores de Alá no país eram todos descendentes de imigrantes árabes. Atualmente, milhares de brasileiros da gema já rezam virados para Meca.

Segundo pesquisadores que analisam o crescimento islâmico, o grande diferencial da religião e motivo principal da sua expansão é o contato direto com Alá, sem intermediários. Isso faz do Islã uma religião extremamente acessível. Já que não existe hierarquia e a fé pode ser praticada em qualquer lugar.

A ligação entre a carnificina provocada pelos terroristas muçulmanos e as raízes verdadeiras da fé islâmica é o maior problema enfrentado nos dias atuais pela religião mais praticada do planeta. Dezenas de milhões de pessoas, em especial no Ocidente, confundem o islamismo com uma prática religiosa radical e raivosa, que convoca seus seguidores a matar inocentes, permite (e recompensa) o suicídio em nome de Deus e não tolera crenças diferentes. De acordo com a esmagadora maioria dos especialistas, religiosos e fiéis, contudo, a verdadeira face do Islã é exatamente oposta: a de uma fé que estimula o entendimento e desencoraja o conflito.

A própria origem do termo Islã - ou "rendição", em árabe - está ligada à palavra salam, que significa "paz". O fundador do islamismo, o profeta Maomé, dedicou sua vida à tentativa de promover a paz em sua terra, a Arábia. Antes do Islã, as tribos árabes estavam presas num círculo vicioso de ataques, revides e vinganças. O próprio Maomé e seus primeiros seguidores escaparam de dezenas de tentativas de assassinato e de uma grande ofensiva para exterminá-los em Meca. O profeta teve de lutar, mas em nome da própria sobrevivência - quando acreditou estar a salvo, passou a dedicar-se exclusivamente à reconciliação das tribos, através de uma grande campanha ideológica de não-violência. Quando morreu, no ano de 632, a meta havia sido cumprida - e justamente em função de seus ensinamentos sobre paz e tolerância.

Quando revelou a base da crença islâmica pelos versos do Corão, Maomé convivia com uma guerra em larga escala em sua terra. Assim, muitas passagens das escrituras sagradas dos muçulmanos tratam de conflitos armados, da execução de inimigos, da guerra em nome de sua crença. Os terroristas e radicais de hoje, contudo, gostam de citar o Corão apenas nos trechos em que se convoca a luta, e não nos versos em que se prega a paz e o entendimento. Pouco depois do ataque de 11 de setembro de 2001, a escritora americana Karen Armstrong, autora de vários livros sobre a religião islâmica, compilou alguns desses versos. A seguir, alguns deles:

• No Corão, os muçulmanos recebem a ordem de Deus para "eliminar os inimigos onde quer que eles estejam". A frase é uma das preferidas de Osama bin Laden e seus discípulos do terror. No verso seguinte, contudo, a mensagem é a segunte: "Se eles deixarem-no em paz e não fomentarem guerra, e oferecerem a paz, Deus não permite que sejam machucados".

• O texto sagrado dos muçulmanos diz que a única forma aceitável de guerra é aquela conduzida em auto-defesa. Os muçulmanos jamais devem iniciar as hostilidades. A guerra é sempre manifestação do mal, indica o Corão, mas às vezes é preciso lutar para preservar seus valores - ou, como fez o profeta Maomé em Meca, para combater perseguições e se livrar dos opressores.

• Em certo trecho, o Corão cita a Torá, escritura sagrada dos judeus, ao dizer que é permitido ao muçulmano retribuir uma agressão - olho por olho, dente por dente. O texto ressalta, porém, que perdoar e deixar de lado as vinganças em nome de um espírito de caridade é uma atitude digna de mérito e admiração.

• Quando a guerra é necessária e justificada, as hostilidades contra o inimigo devem acabar logo que for possível. A guerra termina quando o inimigo acena com um gesto de paz. O Corão também diz que os outros povos, mesmo quando forem inimigos, jamais devem ser forçados a seguir a crença dos muçulmanos: "Não deve haver coerção nos assuntos da fé!"

• Na mais famosa distorção a respeito da doutrina muçulmana, a palavra "jihad" é traduzida no Ocidente como "guerra santa" - quando, na verdade, equivale a "luta", "esforço", "empenho". O termo se refere ao esforço que deve ser empregado para que a vontade de Deus seja colocada em prática em todos os aspectos da vida - não só na política, como também na vida pessoal e social. Há relatos de que Maomé disse certa vez, ao retornar de uma batalha: "Estamos voltando da jihad menos importante para a jihad maior", que seria a tentativa de curar os males da sociedade.

• O Corão diz que os "Povos das Escrituras", os cristãos e judeus - principais alvos dos extremistas islâmicos hoje, - devem ser respeitados. Em um de seus últimos discursos, o profeta Maomé teria dito: "Formamos nações e tribos para que conhecessem uns aos outros" - ou seja, não para que os povos conquistassem outros povos e tentassem oprimir suas crenças.

Reação à modernidade - Se a brutalidade contra outros povos e religiões é proibida, se a guerra é uma manifestação do mal, se o inimigo só pode ser atacado se agredir primeiro, por que os radicais muçulmanos continuam usando a religião para justificar seus atos de terrorismo? Para quase todos os especialistas, essa pergunta não tem uma resposta sensata - o que significa que a luta dos extremistas é, de fato, ilegítima e injustificada. Na avaliação de Karen Armstrong, a forma militante de culto religioso surgida no século XX sob a classificação de fundamentalismo é uma reação à modernidade. Seus seguidores estão convencidos de que a sociedade liberal e secular visa acabar com a religião - assim, os princípios de sua fé acabam desvirtuados e distorcidos em nome de uma luta irracional. Desta forma, enxergar em Osama bin Laden e em seus seguidores terroristas uma representação legítima da tradição e da fé islâmica é um erro gravíssimo. Resta à maioria dos muçulmanos, que condenam os atos terroristas e as interpretações radicais das escrituras, a árdua missão de reverter essa imagem e reforçar as raízes pacíficas de sua crença.

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